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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Edgar Allan Poe - A carta furtada

Poe estudou em Londres na Stoke-Newington; algum tempo depois continuou seus estudos de volta a Richmond, na Universidade Charlotteville. Allan Poe, apesar de muito inteligente era também muito genioso, e isto lhe valeu a expulsão desta universidade.

Edgar Allan Poe era um jovem aventureiro, romântico, orgulhoso e idealista. Continuou seus estudos em Virgínia, mas também foi expulso por não se enquadrar nos padrões comportamentais daquela época. Na verdade, Allan Poe era um boêmio que vivia no luxo, se entregando à bebida, ao jogo e às mulheres. Mais tarde, foi para a Grécia e ingressou no exército lutando contra os turcos.

Porém, suas ambições militares não vingaram, e perdeu-se nos Balcans chegando até a Rússia, sendo repatriado pelo cônsul americano. De volta a América, descobre que sua mãe adotiva havia falecido.

Logo após, alista-se num Batalhão de artilharia e matricula-se na Academia Militar de West Point. Mas com o lançamento de uma compilação de poesias em 1831, desliga-se da Academia e corta relações com seu pai adotivo, devido ao casamento com outra mulher, o que teria deixado Poe muito contrariado.

Aos 22 anos, vivendo na miséria, publica Poemas. Já em Baltimore procura pelo irmão Willian e assiste a morte dele. Allan Poe passa a viver com uma tia muito pobre e viúva com duas filhas. Durante dois anos vive em miséria profunda. Mas vence dois concursos de poesias e o editor Thomaz White entrega-lhe a direção do "Southern Literary Messenger".



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Camões - Sonetos

Luís Vaz de Camões presume-se tenha nascido em Lisboa por volta de 1524, de uma família do Norte (Chaves). Viveu algum tempo em Coimbra onde, segundo consta, freqüentou aulas de Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz onde tinha um tio padre. Regressou a Lisboa, levando aí uma vida de boemia. Em 1553, depois de ter sido preso devido a uma briga, parte para a Índia. Fixou-se na cidade de Goa onde escreveu, de acordo com seus estudiosos, grande parte da sua obra. Regressa a Portugal em 1569, pobre e doente, conseguindo publicar Os Lusíadas em 1572 graças à influência de alguns amigos junto do rei D. Sebastião. Faleceu em Lisboa no dia 10 de junho de 1580. É considerado o maior poeta português, situando-se a sua obra entre o Classicismo e o Maneirismo. Obras: "Os Lusíadas" (1572), "Rimas" (1595), "El-Rei Seleuco" (1587), "Auto de Filodemo" (1587) e "Anfitriões" (1587).

Brisingr (Em Português) - Christopher Paolini

Eragon e seu dragão, Saphira, conseguiram sobreviver à batalha colossal na Campina Ardente contra os guerreiros do Império. No entanto, Cavaleiro e dragão ainda terão de se deparar com inúmeros desafios? Eragon se vê envolvido numa série de promessas que talvez não consiga cumprir, como o juramento a seu primo, Roran, de ajudá-lo a resgatar sua amada Katrina das garras de Galbatorix. Todavia, Eragon deve lealdade a outros também. Os Varden precisam desesperadamente de sua habilidade e força, assim como elfos e anões. Com a crescente inquietação dos rebeldes e a iminência da batalha, Eragon terá de fazer escolhas que o levarão a atravessar o Império, viajando muito além. Escolhas que poderão submetê-lo a sacrifícios inimagináveis? Eragon é a única esperança de libertar o reino da tirania de Gabaltorix. Conseguirá o jovem unir as forças rebeldes e derrotar o Império?

Auto do Frade - João Cabral de Melo Neto

O Auto do frade tem como assunto o dia da morte do rebelde frei Caneca, um dos líderes da Confederação do Equador que já estava preso há mais de um ano. Está sendo preparado o cortejo, a população já se acumula do lado de fora da cadeia, enquanto isso o frei tenta dormir enquanto aguarda seu enforcamento. Como o juiz não havia chegado ao Tribunal de Justiça por causa de uma viagem de 3 meses o corregedor decide que o Frei Caneca será enforcado em praça pública, após percorrer a cidade com uma corda enrolada no pescoço. Assim, Frei Caneca é retirado da prisão e muito fraco percorre as Ruas de Recife, várias pessoas o seguem em pleno meio da rua, em cada esquina mais gente se aproxima. Em todos os lugares existem espectadores ao acontecimento abrangendo até mesmo o governador e toda a sociedade em geral. Frei Caneca chega a dizer algumas palavras, mas é obrigado a calar-se e até os gestos lhe são proibidos. Seu comportamento podia representar grande perigo aos oficiais que pregam ser ele um homem condenado à morte por trair o Rei e pretender o separatismo com a Confederação do Equador. Lentamente o cortejo vai levando o Frei que anda calado e sereno. Ao chegar à Igreja do Terço, Frei Caneca é colocado no centro de um círculo formando de policiais, com intuito de ninguém tentar soltá-lo ou se rebelar.

Augusto Cury - O Futuro da Humanidad

O Futuro da Humanidade fala sobre a trajetória de Marco Polo, um jovem estudante de medicina que ao entrar na faculdade cheio de sonhos e expectativas, fica chocado ao encontrar, em sua primeira aula de anatomia, a triste cena de corpos sem identificação, estendidos sobre o mármore branco.
O Jovem calouro de medicina não consegue aceitar a frieza com que os professores se referem aos corpos, dizendo que ali a identidade não importa, que aqueles corpos não têm nome, são mendigos encontrados mortos na rua sem identidade. Revoltado com a situação, Marco Pólo sai à procura de informações sobre esses personagens aparentemente sem passado, e nessa jornada encontra o excêntrico Falcão, um mendigo que conhece a fundo a mente humana. Apesar da difícil situação em que vive, com seus sonhos frustrados, futuro desfeito e esperanças perdidas, Falcão recupera a sua alegria inata ao conviver com o jovem sonhador.
Surge uma amizade entre os dois personagens, a identidade de um dos corpos mutilados nas aulas de anatomia é revelada por Falcão como um ilustre cientista médico que num acidente havia perdido toda a família e a partir daí tinha deixado sua carreira e se tornado um mendigo que terminou morrendo no anonimato. A revelação cai com uma bomba na faculdade onde o atual professor só então percebe a semelhança dos traços do corpo inerte com o antigo fundador daquela universidade.
Anos depois, Marco Pólo já recém formado em Psiquiatria, estimulado pelo amigo enfrenta uma grande batalha contra professores e médicos de renome internacional, tentando mudar a abordagem clássica da psiquiatria e os paradigmas da medicina. Ele desafia profissionais de renome para provar que os pacientes com problemas psiquiátricos merecem mais atenção, respeito e dedicação ? e menos remédios.
Ele utiliza a força do diálogo e da psicologia, e acaba causando uma verdadeira revolução nas mentes e nos corações das pessoas com quem convive. Esse livro representa a luta contra as injustiças e a força de um jovem corajoso, dotado de uma imensa paixão pela vida e pelas pessoas. O Futuro da Humanidade nos leva a uma fascinante viagem pelo mundo da psicologia. Sua linguagem é clara, seus conceitos apresentados de forma simples, nos fazem refletir sobre o rumo que a sociedade está tomando.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

HOMERO - ODISSEIA

Ninguém sabe com certeza se existiu um homem chamado Homero, mas
há pouca dúvida de que os poemas épicos cuja autoria lhe é atribuída
formam os pilares da literatura ocidental. A Ilíada e a Odisséia, com seus
fabulosos relatos da Guerra de Tróia e da atribulada volta de Ulisses
para casa, fornecem temas que se tornaram universais em nossa
civilização, atualizados em diferentes momentos e em inúmeras obras.
Escrito para o público não especializado, Alberto Manguel nos apresenta
aqui a trajetória dos dois poemas homéricos por mais de dois milênios.
Manguel retraça a linhagem dos dois poemas, comentando como foram
traduzidos, interpretados, adaptados e elogiados ao longo do tempo.

Franz Kafka - O Castelo

O Castelo é um romance satírico escrito pelo famoso Franz Kafka.

Tudo começa com Joseph K. Um jovem agrimensor enviado para um Castelo desempenhar as suas funções, deixa a família para trás com a única ambição de cumprir o dever que lhe foi confiado.

Porém a recepção dos aldeões face à sua chegada revela-se bastante sinistra. No dia seguinte decide ir ao Castelo comunicar a chegada, mas a tarefa é impossível. Por mais que tente, não consegue chegar ao Castelo, imponente e obscuro, desenhado na paisagem como um horizonte inalcançável. Resignado, K. envolve-se com os aldeões a fim de se informar acerca da sua situação ambígua.

E é aqui que a história toma o seu rumo. à medida que ele se vai enolvendo com os aldeões, os mensageiros do Castelo, os funcionários do Castelo, e se esforça dia após dia para estabelecer contacto com os seus administradores e conseguir algum dia receber informação de dentro do Castelo. No entanto, vai ironicamente sendo arrastado para o fundo. E quem o arrasta? O sistema excessivamente burocrático que enferruja as engrenagens de uma sociedade liderada por homens cuja mentalidade não passa de um emaranhado de fios onde não à ponta por onde se pegar. Um ambiente social viciado na sua sociedade, viciado na sua protecção e rectidão e cego à razão, aliado apenas da submissão incontestável dos superiores.

Gabriel García Márquez - O Rastro do Teu Sangue na Neve

Ao anoitecer, quando chegaram à fronteira, Nena Daconte notou que o dedo com a aliança de casamento continuava sangrando. O guarda-civil com a manta de lã sobre o chapéu de três pontas e verniz-charão examinou os passaportes à luz de uma lanterna de carbureto, fazendo um grande esforço para não ser derrubado pela pressão do vento que soprava dos Pireneus. Embora fossem dois passaportes diplomáticos em regra, o guarda levantou a lanterna para comprovar que os retratos se pareciam às caras. Nena Daconte era quase uma menina, com uns olhos de pássaro feliz e uma pele de melaço que ainda irradiava o sol do Caribe no lúgubre anoitecer de janeiro, e estava agasalhada até o pescoço com um abrigo de nucas de visom que não poderia ser comprado com o salário de um ano da guarnição inteira da fronteira. Billy Sánchez de Ávila, seu marido, que dirigia o automóvel, era um ano mais jovem que ela, quase tão belo, e usava um paletó escocês e um boné de jogador de beisebol. Ao contrário de sua esposa, era alto e atlético e tinha as mandíbulas de ferro dos valentões tímidos. Mas o que revelava melhor a condição de ambos era o automóvel platinado cujo interior exalava um hálito de animal vivo, como não se havia visto outro por aquela fronteira de pobres. Os assentos traseiros iam atopetados de maletas demasiado novas e muitas caixas de presentes que ainda não tinham sido abertas. Lá estavam, além disso, o sax-tenor que tinha sido a paixão dominante de Nena Daconte antes que sucumbisse ao amor contrariado de seu doce bandoleiro de balneário.

Greg Taylor - Guia para a Chave de Salomão de Dan Brown

Identifica e esclarece temas do próximo livro do autor de O Código Da Vinci: a história oculta de Washington, capital dos Estados Unidos; os ideais da maçonaria e seus reflexos na política norte-americana; as fraternidades secretas nas universidades, que ainda geram candidatos à presidência.
Decodifica a simbologia republicana reproduzida nas armas e na moeda americanas. Indica por que os enigmas de "Guia para a Chave de Salomão" recorrerão a simbolismos egípcios, rosa-cruzes e maçônicos, relacionando-os à arquitetura de Washington.

Jose Saramago - As intermitencias da morte

Aos 83 anos, José Saramago pensa na morte. E gosta. Em seu novo livro, As intermitências da morte, o vencedor do Prêmio Nobel de 1998, vai em direção contrária aos avanços da medicina, e ressalta a importância da morte. Não à toa, a obra surge nos dias de hoje, em que os índices de expectativa de vida são cada vez maiores e a sociedade vem buscando formas de se manter vivo e jovem, seja através de exercícios físicos, cirurgias plásticas, congelamento ou clonagem.

Partindo da premissa kafkiana o que aconteceria se…, Saramago cria um país onde, com a virada do ano, ninguém mais morre. Nem no primeiro dia do ano, nem no segundo, nem no terceiro. E por aí vai. A euforia é geral, bandeiras são colocadas à mostra para comemorar a eternidade. Mas logo os problemas começam a surgir. A velhice vai se prolongando, o corpo se esvaecendo sem nunca chegar ao fim. Hospitais e asilos ficam lotados, sistema de aposentadorias, funerárias e seguradoras em colapso. Como não há mortes, não pode haver ressurreição e sem isso a retórica da igreja perde sentido.

Enquanto os problemas vão se desenvolvendo, Saramago aproveita para dar suas alfinetadas. Mostra um jornalismo preocupado com as vendagens ao invés das notícias e o jogo de interesses que pauta a política, com cada grupo querendo sua parte do bolo. Mas é através da criação da máphia, encarregada de levar moribundos até o outro lado da fronteira para que descansem em paz, que o autor desmascara o poder, expondo a sua fragilidade perante os interesses econômicos.

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

LEON TOLSTOI - A Tortura da Carne

Eugénio Irtenieff tinha razões para aspirar a uma carreira brilhante. Para tal nada lhe faltava, a sua educação fora muito cuidada; terminara com brilho os estudos na Faculdade de Direito de S. Petersburgo e, por intermédio do pai, falecido havia pouco, conseguira as melhores relações na alta sociedade. Basta dizer-se que entrara para o Ministério pela mão do próprio Ministro. Possuía também uma avultada fortuna, embora esta já estivesse comprometida. O pai vivera no estrangeiro e em S. Petersburgo e dava a cada um dos seus filhos, Eugénio e André, uma pensão anual de seis mil rublos, e ele e a mulher de nada se privavam, gastavam à larga. No verão, passava dois meses no campo, mas não administrava directamente as suas propriedades, confiando tal encargo a um encarregado que por sua vez, embora este fosse pessoa da sua inteira confiança, deixava andar tudo ao Deus dará.

Por morte do pai, quando os dois irmãos resolveram liquidar a herança, apareceram tantas dívidas que o advogado aconselhou-os a ficarem apenas com uma propriedade da avó, que fora avaliada em cem mil rublos, e desistirem do restante. Mas um vizinho da herdade, igualmente proprietário, que tivera negócios com o velho Irtenieff, veio a S. Petersburgo propositadamente para apresentar uma letra aceite por este - e fez-lhes saber que, apesar das grandes dívidas, poderiam chegar a acordo com ele e ainda refariam grande parte da fortuna. Para tal, bastava que vendessem a madeira, alguns bocados de terreno bravio e conservassem o melhor, isto é, a propriedade de Semionovskoié, uma verdadeira mina de oiro, com as suas quatro mil geiras de terra, duzentas das quais de belos pastos, e a refinaria. Afirmou ainda que, para tal se arranjar, era indispensável que uma pessoa enérgica se entregasse de corpo e alma a essa tarefa instalando-se no campo para administrar a herdade inteligente e economizante.

Victor Hugo - Os Trabalhadores do Mar

Com o passar do tempo, começa a ficar difícil ao leitor contumaz encontrar uma obra literária que, mesmo interessante, tenha um papel arrebatador em sua existência, uma obra que ao mesmo tempo seja capaz de elevar e enlevar. Ele sente que mesmo as melhores obras parecem carecer do elemento surpresa ou de algum elemento impactante e transformador, que lhe acrescente sabedoria, não apenas conhecimento.

E qual não é a alegria de um leitor quando se depara com um livro que lhe suscita emoções e reações novas! Tive a felicidade de vivenciar esse sentimento na leitura do livro “Os Trabalhadores do Mar”, de Victor Hugo, uma obra de transformação, do tipo em que o leitor jamais sai incólume, jamais esquece, jamais se lembra sem emoção e prazer. Sim, é um texto de prazer, pois, como diz Roland Barthes, texto de prazer é aquele que contenta, enche, dá euforia, típico do “escritor que tem na letra seu prazer”. Prazer que vem da beleza, da filosofia viva e da presença da poesia na prosa, claro, já que provém de um dos maiores poetas de língua francesa.

Fernando Pessoa - Poemas Ocultistas

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888. Fez seus primeiros estudos na África do Sul onde viveu com a família durante alguns anos. Em Portugal freqüentou o Curso Superior de Letras, fundou uma tipografia, foi correspondente estrangeiro, dirigiu várias revistas literárias e ganhou alguns prêmios literários. Criou vários heterônimos, personalidades distintas com estilos próprios. A maioria das suas obras só foi publicada após a sua morte.


Oscar Wilde - Alma Do Homem Sob O Socialismo

O ensaio A alma do homem sob o socialismo é uma peça peculiar da obra do escritor irlandês radicado na Inglaterra Oscar Wilde. Publicado no periódico The Fortnightly Review em 1891, trata-se de um texto que veio a público no despontar da carreira do autor: ele já publicara O príncipe feliz e outras histórias, com contos para crianças, a primeira versão de O retrato de Dorian Gray, bem como O retrato do Sr. W. H e a peça A duquesa de pádua, e já mantinha certo renome como jornalista. Por outro lado, A alma do homem foi escrito antes da experiência que viria a ser o divisor de águas da carreira (e da vida) daquele que foi um dos maiores observadores da vida burguesa e da natureza humana de todos os tempos: o processo e a condenação a dois anos de encarceramento com trabalhos forçados por crimes de natureza sexual em função de seu caso com o jovem Lord Alfred Douglas.

Depois da prisão, um novo Wilde surgiria, dedicando-se mais a questões como ética humana, liberdade, política, como se pode ver no célebre De profundis (vol. 87 da coleção L&PM POCKET) e em A balada do cárcere de Reading.

Portanto, A alma do homem é o único texto de certa extensão escrito previamente ao processo e escândalo no qual Wilde – aquele cujos únicos compromissos eram com a ironia, a provocação e a elegância – debruça-se detidamente sobre a política, a liberdade, a condição social humana. Neste ensaio, Wilde aborda seriamente a então promessa socialista, analisando seus prós e contras, e, como um profeta maldito, além de artista para o qual a liberdade pessoal não pode ser diminuída, chama a atenção para a importância que o socialismo precisaria garantir à individualidade humana.


Balzac - O elixir da longa vida

A história contada por Balzac em 1830 inicia-se narrando a cena de uma luxuriante festa realizada no palácio de Ferrara, numa noite de inverno, onde residia don Juan Belvidero. No auge da embriaguez de todos os que figuravam no festim, surge numa porta um velho criado que com ar triste anuncia que Bartolomeo Belvidero, pai de don Juan, está na cama à beira da morte. Imediatamente o anfitrião perde a alegria, tal como quem abandona um guardanapo usado e sai do salão à procura do pai, deixando atrás de si uma festa de clima frio e opaco. Don Juan chega ao leito do mortiço com a alma cheia de arrependimento, contrastando com a tranqüilidade do pai, o qual nunca se desgostara das festas depravadas e da vida esbanjadora que o filho único levava.
“Que remorsos eu sinto, meu pai! Se fosse possível restituir-te a vida dando uma parte da minha!”
“Eu bem sabia, meu filho, que podia contar contigo”, exclamou o moribundo. “Eu viverei. Vai, serás feliz. Eu viverei, mas sem retirar um único dos dias que te pertencem.”